
Avodat Elilim: É correta a prática da idolatria?
O termo Avodat Elilim significa "serviço aos ídolos" ou "culto aos ídolos", sendo nada mais do que a adoração a deuses estranhos, ou seja, designa a idolatria. A expressão Avodah Zarah, cuja tradução para o português é "culto ao estrangeiro" ou "culto estranho", também é utilizada para indicar a prática de idolatria.
Nos dias de hoje, é muito comum as pessoas terem estátuas em suas casas como um diferencial na decoração, sejam elas simples imagens de personificação humana, de criaturas mitológicas ou mesmo divindades do passado.
Algumas pessoas que se consideram religiosas, podem até argumentar não haver problema algum em possuir imagens de antigos deuses, como por exemplo divindades gregas ou romanas, como artigo de coleção ou simplesmente com finalidade decorativa, já que estes não passam de simples mitologia, ou mesmo, não são mais adorados hoje em dia. Já outros, realmente utilizam-se de imagens em seus serviços religiosos, mas explicam que não as estão adorando, mas que vê-las e/ou tocá-las ajudá-os na conexão com Deus.
Será que os israelitas podem utilizar-se de imagens como forma de adorar ao Eterno?
A forma como adoramos a Deus é muito importante e a melhor maneira de responder a esse questionamento é analisar o que nos diz a Torah no Sefer Shemot/Êxodo 20:3-5: "Não terás outros deuses diante de Mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem imagem de qualquer coisa do que há nos céus acima e do que há embaixo na terra ou nas águas abaixo da terra. Não devem adorá-las ou servi-las, porque Eu Sou o Eterno, Teu Deus, um Deus zeloso, que cobra a iniqüidade dos pais sobre os filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam".
Como se pode observar ao ler esse que é o segundo dos Dez Mandamentos, o próprio Eterno, através da sua sagrada Torah, condenou veementemente a adoração a deuses estranhos e o uso de imagens. Somente Ele, Deus, deve ser adorado e as escrituras nos mostram vez após vez o quão errado é utilizar-se de uma imagem para adoração e curvar-se diante dela.
Por esse motivo, para que qualquer desculpa para um possível ato de idolatria fosse cogitado, Mosheh (Moisés) alertou aos israelitas, que Deus nunca havia lhes aparecido de forma visível: "E guardareis muito bem as vossas almas, porque não vistes imagem alguma no dia em que o Eterno vos falou no Chorev (Horeb) do meio do fogo, para que não se corrompam, fazendo para vós uma imagem esculpida de qualquer forma, com semelhança de homem ou mulher, à semelhança de qualquer animal que há sobre a terra, à semelhança de qualquer ave que voa, que voa no céu, à semelhança de qualquer coisa que se arraste na terra, à semelhança de qualquer peixe que há nas águas abaixo da terra, e para que, não levantando seus olhos para o céu e veja o sol, a lua e as estrelas, todo o exército dos céus, sejas seduzidos a adorá-los e a curvar-se diante deles, o que o Eterno, Teu Deus, atribuiu a todos os povos debaixo de todo o céu" (Devarim/Deuteronômio 4:15-19).
No passado, e por diversas vezes, uma grande parcela dos primitivos hebreus deixaram de seguir as orientações divinas, foram seduzidos pelas falsas doutrinas das nações e, acabaram rendendo-se a idolatria, mas não por falta de exortações para se manterem fieis ao Verdadeiro e Único Deus. Tal panorama de desrespeito aos mandamentos do Eterno é facilmente revelado ao ler o texto de Tehilim/Salmos 106:34-36: "Não destruíram os povos, como lhes dissera o Eterno. E misturam-se entre as nações, e passaram a aprender as suas ações. E serviram seus ídolos, que se tornou-lhes um laço". E nos versículos 40-42, a conseqüência pela desobediência: "E a ira do Eterno se acendeu contra o Seu povo, e Ele desprezou a sua herança. E os entregou nas mãos das nações; e os que os odiavam, dominaram sobre eles. Seus inimigos os oprimiram, e foram subjugados sob a sua mão".
Diferentemente do exemplo acima citado, o Mikrá, no livro de Daniyel 3:1-30 nos fornece um exemplo para seguirmos plenamente as orientações de Deus e que evidencia a clara recusa em praticar um ato idólatra: na antiga Babilônia, o rei Nevuchadnetzar (Nabucodonosor) erigiu uma grande imagem de ouro e ordenou que todos se ajoelhassem e prestassem adoração diante dela. "Aquele que não venerar a imagem", disse ele, "de imediato será lançado em um forno em chamas". Mas três jovens israelitas, Sadrach (Sadraque), Meisach (Mesaque) e Aved-Nego (Abednego), se recusaram de pronto a obedecer as ordens do rei. Por que? Porque tal ato de veneração envolvia Avodat Elilim, e a adoração desses israelitas era dirigida única e exclusivamente ao Eterno. Deus aprovou este procedimento dos três israelitas, e Ele os salvou da ira do rei.
Israelitas X Avodat Elilim
Como povo escolhido, os israelitas devem ser terminantemente contra a idolatria e rejeitar esta prática, mesmo que o uso de uma determinada efígie, tenha caráter meramente decorativo. No caso de um serviço religioso, a utilização de quaisquer imagens de animais, "santos", "sábios", seres humanos moldados ou entalhados, é em vão, como nos declara Tehilim/Salmos 115:4-8: "Os seus ídolos são de prata e ouro, obra das mãos dos homens. Têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem; narizes têm, mas não cheiram. Têm mãos, mão não apalpam; pés têm, mas não andam, nem som algum sai da sua garganta. Que passem a ser como eles, sim, todos os que neles confiam".
Deve-se ter em mente, que o israelita está em uma aliança com Deus e como diz a Torah em Devarim/Deuteronômio 6:4: "Ouve, ó Israel! O Eterno é nosso Deus, o Eterno é um só!", ou seja, não existem outros deuses, Ele é o Primeiro e Único.
Avodat Elilim: Como evitar?
Todo israelita deve ficar longe de qualquer tipo de idolatria. Isso que dizer que:
Não mencionar o nome de deuses estranhos - O primeiro dos 10 mandamentos (Shemot 20:3) nos alerta que não devemos ter em nosso meio, outros deuses, sendo assim, para ficarmos protegidos da idolatria, temos de evitar mencionar o nome dos falsos deuses.
Não freqüentar ambientes idólatras - Como já mencionado, um número grande de denominações religiosas se utilizam de imagens em seus serviços religiosos. Sendo assim, os israelitas são taxativamente proibidos de entrarem em igrejas ou templos em que estejam à mostra imagens ou qualquer simbologia idólatra. Mesmo que não exista qualquer imagem, não se deve entrar em locais onde são ensinadas doutrinas estranhas e contrárias ao Mikrá.
Não participar de celebrações de outras denominações religiosas - Já que há uma proibição para se entrar em igrejas ou qualquer outro tipo de edificação de cunho religioso, participar de cerimônias nesses locais também não é permitido, incluindo-se cultos, missas, reuniões ecumênicas, batismos, casamentos, Bar Mitzvot, dentre outros. Mas nada o impede de ir a recepção de casamento, se o mesmo for em um clube ou outro local. Presentes ou lembranças de casamento também podem ser enviados. No caso de falecimento, é mais do que louvável e o israelita é incentivado a ir ao enterro ou apresentar os sentimentos na casa do enlutado.

Não se prenda a estudos que envolvam Avodat Elilim - Devarim 12:29-31 nos alerta: "Quando o Eterno, Teu Deus, desarraigar as nações de diante de ti, para onde vais para despojá-los, e as herdares e habitares na sua terra, guarda-te para que não sejas seduzidos a segui-los, depois que eles forem destruídos de diante de ti, e que não perguntes acerca dos seus deuses, dizendo: 'Como é que estas nações serviam a seus deuses? Do mesmo modo também farei'. Assim, não farás ao Eterno, Teu Deus, porque é tudo uma abominação ao Eterno, que Ele odeia, pois até seus filhos e suas filhas eles queimaram no fogo aos seus deuses". O ponto focal deste texto da Torah é: "não perguntes acerca dos seus deuses, dizendo: 'Como é que estas nações serviam a seus deuses'?". O que isso quer dizer? Não devemos gastar o nosso tempo em estudar ou conhecer as práticas das religiões idólatras. De que nos serve conhecer assuntos que envolvam Avodat Elilim quando a própria Torah condena tudo que a envolve? Por mais que a intenção não seja a de praticar a idolatria, o contato, por mais "inofensivo" que seja com tais ensinamentos, pode fazer com que a pessoa seja seduzida e quando se percebe, já está compactuando com essas e demais falsas doutrinas. Tal procedimento deve ser aplicado não somente as religiões tipicamente idólatras, mas também àquelas que de maneira dissimulada se utilizam desta prática, usando a "Bíblia" ou o "Tanach", para disseminarem suas diretrizes que se contradizem com os preceitos do Mikrá. É mais do que louvável o interesse em adquirir conhecimento, mas faça isso por estudar a Torah, que é a palavra do Eterno ou até mesmo lendo jornais, revistas ou outros tipos de publicações, mas devemos nos abster de aprender ou ler o que não é compatível com os mandamentos de Deus.
Como podemos ver, a Torah é bem enfática ao condenar o uso de imagens na adoração ao Eterno e nós devemos seguir à risca essa sábia orientação. O salmista nos exorta: "Ó, vinde, pois, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Eterno, nosso Criador, pois Ele é nosso Deus, e nós somos o povo do Seu pasto e rebanho de Sua mão. Se hoje, sua voz, ouvir" (Tehilim/Salmos 95:6,7).
Outros textos do Mikrá para reflexão
Yeshayahu/Isaías 40:18: "A quem, pois, fareis semelhante a Deus? Ou que semelhança podeis comparar a Ele?".
Yeshayahu/Isaías 42:8: "Eu sou o YHWH. Este é o Meu nome; e a Minha glória não darei a outros, nem o Meu louvor à imagens esculpidas".
Yirmiahu/Jeremias 14:22: "Há entre as vaidades das nações quem possa fazer chuva? Ou podem os próprios céus dar chuvas? Não és Tu, ó Eterno, nosso Deus? E nós esperamos em Ti, pois Tu fizeste todas estas coisas".
Yirmiahu/Jeremias 22:8,9: "E muitas nações passarão por esta cidade, e um dirá para o outro: 'Pelo que tem feito o Eterno, assim, a esta grande cidade?'. Então responderão: Porque deixaram a aliança do Eterno, seu Deus, e adoraram a outros deuses, e os serviram".






