
Profetas/Profetismo: Ainda existe nos dias de hoje?
Alguns estudos colocam Nechemiah (Neemias) e Malachi (Malaquias) como os últimos profetas do Mikrá.
Realmente, em ambos os casos, suas obras foram concluídas em períodos muito próximos, com diferença mínima de anos ou até meses. Mas Malachi, apesar de não ter qualquer registro histórico de sua vida, é considerado o último dos profetas, cujo trabalho foi terminado por volta do ano 443-442 a.E.C. Entende-se também, que após ele, não houve outro e que o Mikrá foi completado no ano de 400 a.E.C.
As profecias se encerraram com Malachi? Se sim, porque?
Se existiram outros profetas após Malachi, estes não tiveram a mesma notoriedade e ênfase daqueles que estão listados no Mikrá.
Após Malachi, como já mencionado, podem ter ocorrido outros profetas que exortavam o povo a se voltar dos pecados, mas se existiram, não temos esse conhecimento. O profetismo de Malachi foi bem enfático, pois este pregava a necessidade do amor ao Eterno e acusava os sacerdotes de terem abandonado o serviço religioso original. A adoração pura ao Todo-Poderoso já não estava sendo praticada, já que os sacerdotes estavam mais preocupados a servirem a si mesmos. O próprio povo não estava mais contribuindo como antes no serviço sagrado, pois consideravam que Deus não tinha mais interesse por Israel. Os sacerdotes tornaram-se orgulhosos. Isso significa dizer que a condição espiritual dos sacerdotes e, conseqüentemente, de todo o povo estava em níveis muito baixos, como deixa claro Malachi 2:7,8: "Porque os lábios do sacerdote devem salvaguardar o conhecimento, e de sua boca deve o povo buscar os ensinamentos, pois ele é o mensageiro do Eterno dos Exércitos. Mas vós vos desviastes do caminho e a muitos fizestes tropeçar no caminho do cumprimento da Torah, por causa de vossos ensinamentos, e assim corrompestes a aliança de Levi - diz o Eterno dos Exércitos".
Mas mesmo em circunstâncias em que a espiritualidade era mínima, ainda havia a possibilidade de um retorno e que o Eterno ainda se mostraria ser o Deus de Seu povo. Mas como é possível observar através de um estudo, mesmo que superficial, a exortação do profeta, que era o porta-voz do Eterno, não surtiu efeito. Como exemplo, temos os sacerdotes do primeiro século da E.C. que já estavam corrompidos, praticando todo tipo de paganismo e esquecendo o significado do verdadeiro serviço religioso do Templo.
Nesse momento, não havia mais as vozes dos profetas e o próprio Eterno havia repudiado toda aquela prática, já que não se honrava mais o Seu Nome. De uma certa forma, o Todo-Poderoso já havia abandonado aquela nação que só praticava o pecado aos Seus olhos.
Como prova de que o profetismo havia se encerrado, já que a nação não se voltava em arrependimento e que o Eterno não aprovava os sacrifícios que eram feitos externamente, mas sem qualquer sinceridade de coração e alma, Jerusalém foi tomada no ano 70 E.C. Mas o serviço religioso foi definitivamente extinto em 135 E.C., quando o imperador romano Adriano arrasou Jerusalém e no local do Beit HaMikdash profanou o solo sagrado construindo um templo dedicado a Júpiter.
A partir do momento, em que a nação parou de ouvir as profecias, não mudou o seu modo de vida e conseqüentemente, desrespeitando as orientações de Deus, o Eterno se afastou e o profetismo foi abandonado, e nos dias de hoje, não existe mais quaisquer resquícios dessa relação direta de Deus com outro ser humano, como deixa claro Zechariah (Zacarias) 1:5: "Vossos pais, onde estão agora? E os profetas, acaso viverão para sempre?".
Mas como ficam os israelitas nos dias de hoje?
Isso não quer dizer que o Eterno tenha abandonado totalmente o seu povo. Ele se faz presente a todos aqueles que respeitam seus mandamentos e ouve as orações dos que Nele confiam. O Eterno se faz presente também, nos orientando que caminho devemos seguir. Muitas das vezes, não entendemos porque uma determinada situação ocorre e em alguns casos em um momento providencial. Na realidade, pode ser a ajuda do Eterno atendendo aos nossos pedidos ou simplesmente provendo as nossas necessidades, sem que haja a necessidade do profetismo.
Mas mantenha-se atento, pois todo aquele que se utiliza de "dons de falar em línguas" ou qualquer outra prática de profetização, pode não estar recebendo qualquer tipo de orientação do Eterno, como nos exorta Michah/Miquéias 3:4-6: "Clamareis então ao Eterno, mas Ele não vos responderá; Ele ocultará Sua face de vós em razão da iniqüidade que praticaste! Assim disse o Eterno em relação aos profetas que conduzem Meu povo ao erro, que gritam 'Haverá paz!' quando têm alimento entre seus dentes e que prevêem guerra quando não lhes é oferecido alimento para suas bocas. Por isto, noite se fará sobre vós para que não tenhais visão, e tal será para vós a escuridão, que nada podereis adivinhar. E se ocultará o sol para os (falsos) profetas, e negro será para eles o dia".
Assim sendo, hoje em dia, a figura do profetismo não mais existe, mas temos algo muito maior para orientar as nossas vidas e nos fortalecer espiritualmente: a palavra escrita de Deus e que nos está disponível através do Mikrá.
Que possamos fazer das orientações do Eterno nosso rumo na vida e as mensagens dos profetas vivas em nosso coração para estarmos sempre no caminho certo a seguir, como descreve Tehilim (Salmos) 18:31: "O caminho de Deus é perfeito; a palavra do Eterno, pura; Ele é o escudo de todos os que Nele confiam".
Outros textos do Mikrá para reflexão
Shemot/Êxodo 20:6: "E faço misericórdia até duas mil gerações aos que Me amam e aos que guardam Meus mandamentos".
Devarim/Deuteronômio 4:40: "E guardarás os Seus estatutos e os Seus mandamentos, que eu te ordeno hoje, para que seja bem para ti e para teus filhos depois de ti, e para que prolongues dias sobre a terra que o Eterno, teu Deus, te dá para sempre".
Michah/Miquéias 3:11,12: "Cujos juízes emitem sentenças por suborno, cujos sacerdotes ensinam pela paga, cujos profetas adivinham por dinheiro e que se dizem confiantes no Eterno, afirmando: 'O Eterno está entre nós, portanto nenhum mal nos advirá'. Portanto, por vossa culpa Tzion será arada como um campo, Jerusalém se tornará um montão de ruínas e o monte do Templo se tornará um amontoado de pedras perdido na floresta".
Tzefaniah/Sofonias 3:4: "Seus (falsos) profetas são licenciosos e traidores; seus sacerdotes profanam o que é sagrado, violando a Torah".
Zechariah/Zacarias 1:4,5: "Não sejais como vossos pais, que foram admoestados pelos profetas anteriores, que lhes proclamavam, dizendo: Assim disse o Eterno dos Exércitos: Retornai de vossos maus caminhos e de vossas más ações! Mas não lhes deram ouvidos nem Me atenderam – diz o Eterno. – Vossos pais, onde estão agora? E os profetas, acaso viverão para sempre?".
Zechariah/Zacarias 7:12: "Sim, endureceram como pedras seus corações, para não escutar nem a Torah nem as palavras que enviara o Eterno dos Exércitos através dos profetas anteriores, provocando assim a ira do Eterno dos Excércitos".
Tehilim/Salmos 56:5: "Cuja palavra exalto, em Ti depositando minha fé, nada temerei, pois o que pode um simples mortal me fazer?".
Kohelet/Eclesiastes 12:13: "E tendo tudo sido devidamente estudado, eis a conclusão final: Teme a Deus e guarda Seus mandamentos, pois nisto consiste todo o dever do homem".






